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terça-feira, 11 de setembro de 2018

A origem da mumificação no Egito vem de muito antes da Era dos Faraós

"As primeiras múmias geralmente são associadas com o Velho Reino do Antigo Egito, mas como uma investigação intensiva de múmias de 5.600 anos de idade confirma, os métodos utilizados para essa prática funeral icônica vêm de muito antes da era dos faraós.

Pensava-se que a prática de mumificação e as técnicas usadas para embalsamar (como o uso de resinas) tinham se originado no Velho Reino do Antigo Egito (também conhecido como “Era das Pirâmides”), em torno de 2500 a.C. Mas essa interpretação foi desafiada por uma análise de 2014de tecidos funerários encontrados na região sul do Egito, em Mostagedda, que empurrou a origem da mumificação egípcia 1.500 anos para trás.

A nova pesquisa, publicada nesta semana no periódico Journal of Archaeological Science pelo mesmo grupo de cientistas, amplia o nosso conhecimento sobre como e quando a prática de mumificação foi desenvolvida no Egito Antigo, incluindo os agentes utilizados no processo de embalsamamento. O novo estudo confirma a data de origem proposta no trabalho anterior, mas ao contrário da análise de 2014 dos tecidos funerários, essa última pesquisa foi conduzida na própria múmia. E isso nem é o mais significativo.

“Embora a múmia não seja a primeira evidência a revelar os agentes formativos do embalsamento que datam de cerca de 4300 a.C., é o primeiro objeto intacto que revela uma parte vital do processo icônico que depois se tornaria a mumificação faraônica egípcia”, disse Stephen Buckley, arqueólogo da Universidade de York e co-autor do novo estudo, ao Gizmodo.

A múmia em questão é conhecida como Múmia S. 293 (RCGE 16550), e tem sido estudada por cientistas há mais de um século. Ela esteve exposta do Museu Egípcio em Turim desde 1901. A múmia é única por nunca ter sido exposta a tratamentos de conservação; sua condição imaculada faz dela um objeto ideal para análise científica.

Anteriormente, cientistas assumiram incorretamente que a Múmia S. 293 tinha sido mumificada naturalmente pelas condições quentes e secas do deserto, um processo conhecido como dessecação. A nova pesquisa mostra que esse não é o caso – a múmia foi produzida por embalsamadores que empregaram uma mistura de óleo de plantas, resina de coníferas aquecida, um extrato de planta aromática e uma goma/açúcar de plantas. Juntos, esses ingredientes tinham propriedades antibacterianas muito potentes.

“Pela primeira vez identificamos o que pode ser descrito como uma ‘receita de embalsamento’ egípcia – basicamente a mesma receita antibacteriana que se tornaria parte vital da mumificação durante o período faraônico perto de 3100 a.C.”, disse Buckley.

Utilizando microscópios, os pesquisadores examinaram os tecidos ao redor da múmia, enquanto uma análise química foi realizada para identificar os ingredientes da receita de embalsamento. Uma análise genética foi feita para identificar tanto o DNA humano quanto o não-humano (como material vegetal) associados à múmia. Nenhum DNA humano foi extraído do espécime, provavelmente resultado da exposição excessiva no museu.

O método de datação por radiocarbono definiu a origem da múmia entre os anos 3650 e 3380 a.C. Utilizando outra evidência, como as mudanças conhecidas da tecnologia têxtil egípcia, os autores estreitaram a data para algo entre 3650 a 3500 a.C. Uma análise do desgaste dentário sugere que a múmia tinha entre 20 a 30 anos de idade quando morreu.

A receita de embalsamento foi surpreendentemente similar a uma utilizada 2500 anos depois, quando a mumificação egípcia atingiu o seu pico cultural. Essa similaridade aponta para uma visão compartilhada da morte e de vida após a morte cerca de 500 anos antes de o Egito se tornar a primeira nação-estado do mundo, disse Buckley.

De fato, essa técnica de mumificação data do estágio de Naqada da pré-história egípcia, que aconteceu substancialmente antes do Período Faraônico. Mas as análises também revelaram o uso de uma resina de coníferas antibacteriana que não é nativa do Egito. Esse composto deve ter sido importado, provavelmente do Oriente Próximo, onde atualmente está Israel e a Palestina.

Isso é importante para o nosso entendimento da extensão do comércio antigo nesse período – sabíamos que existia comércio entre o Egito e o Oriente Próximo, mas a negociação de resinas de vegetais entre o Oriente Próximo e o sul do Egito é uma adição bem útil ao que sabíamos”, disse Buckley ao Gizmodo. “E sendo notavelmente semelhante aos enterros pré-históricos que datam de 4300 a.C. a 3100 a.C. em Mostagedda, se torna uma primeira indicação de que a receita de embalsamamento estava sendo utilizada em uma área geográfica mais ampla numa época em que o conceito de identidade pan-egípcia supostamente ainda estava em desenvolvimento“.
Múmias como essa são extremamente raras. Essa pesquisa nos dá uma visão importante das tecnologia empregadas pelos egípcios antigos, e da influência marcante da cultura do Egípcio pré-dinástico nos períodos subsequentes. Como mostra esse estudo, até a história antiga tem sua história antiga." (Fonte: www.udjat)

Fotos: Múmia S. 293 (RCGE 16550). Crédito: Egyptian Museum, Turin/J. Jones et al., 2018 e Stephen Buckley/Universidade de York

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Arqueólogos encontram 'oficina' que embalsamava múmias no Antigo Egito

"Local com idade superior a 2,5 mil anos estava soterrado a quase 30 metros de profundidade: pesquisadores esperam encontrar os óleos utilizados no processo de mumificação.

Uma descoberta única que pode ajudar a compreender um dos rituais mais fascinantes do Egito Antigo: arqueólogos localizaram uma espécie de oficina de mumificação onde os corpos eram embalsamados de acordo com a tradição religiosa. Soterrado a quase 30 metros de profundidade na necrópole de Saccara, sítio arqueológico localizado a 30 quilômetros da cidade de Cairo, o local contém sarcófagos adornados com pedras preciosas, máscaras mortuárias, tecidos e cinco múmias parcialmente preservadas.

Considerada uma "mina de ouro" de informações sobre o período, a oficina de mumificação também contém jarros que armazenariam os óleos e substâncias utilizadas para embalsamar os mortos. De acordo com Ramadan Badry Hussein, diretor de excavações da necrópole de Saccara, será possível analisar a composição química dos registros para encontrar as fórmulas utilizadas pelos sacerdotes do Egito Antigo.

Outra descoberta classificada como extremamente relevante foi uma máscara de prata que contém elementos de ouro. Apenas um adorno desse tipo havia sido encontrado por pesquisadores egípcios no período recente: agora, eles investigarão as informações para descobrir se o item seria destinado a algum nobre que viveu no período.

Com idade estimada em mais de 2,5 mil anos, o local continuará a ser cuidadosamente explorado pelos arqueológos. Na semana passada, o Ministério das Antiguidades do Egito revelou outra importante descoberta: uma escavação no distrito de Sidi Gaber encontrou o maior sarcófago já registrado na cidade de Alexandria. Ele tem 2,65 metros de comprimento, 1,85 metros de altura e 1,65 metros de largura, todo construído em granito negro. Foi encontrado enterrado a cinco metros de profundidade." (Fonte: Galileu)

Fotos: Wikimedia Commons)

domingo, 2 de setembro de 2018

Egito: Arqueólogos encontram oficina de mumificação com 2.500 anos

"Esta oficina de mumificação tem 2.500 anos.

Prevê-se que a descoberta venha a revelar mais pormenores acerca do processo de mumificação egípcia.

Um grupo de arqueólogos descobriu uma oficina de mumificação, com cerca de 2.500 anos, e uma antiga necrópole perto das famosas pirâmides do Egito, anunciou o Ministério das Antiguidades daquele país.

Numa conferência de imprensa, os responsáveis do Ministério disseram que os arqueólogos esperam que a descoberta venha a revelar mais pormenores acerca dos segredos do processo de mumificação, na 26.ª dinastia do antigo Egito.

Os investigadores também encontraram um local onde eram enterrados os mortos.

A descoberta agora divulgada data do período persa, entre 664-404 a.C. (antes de Cristo).

A estação de arqueologia está localizada no cemitério de Saqqara, integrado na necrópole de Memphis, classificada como Património Mundial da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)." (Fonte: DN)

Fotos: Reuters