domingo, 9 de dezembro de 2018
O Simbolismo do Natal, por Lúcia H. Galvão (Nova Acrópole)
"A presente palestra foi ministrada pela professora LÚCIA HELENA GALVÃO em 2008, onde faz relembrar as origens dos elementos que todos utilizamos por ocasião do Natal, e seus significados mais profundos - para que tornemos nossas celebrações mais conscientes e luminosas." (Fonte: Nova Acrópole)
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
O Simbolismo da Festa de Natal, por Françoise Terseur (Nova Acropole)
"Esta festa é uma reactualização de um culto tão antigo como o mundo. A sua finalidade é muito importante, pois é um ponto de encontro entre o visível e o invisível; um instante de pausa e reflexão que permite ao homem fixar-se no tempo e espaço, fazendo deste instante um elo entre o passado, o presente e o futuro.
As formas do culto podem modificar-se com as épocas, as civilizações, as religiões, mas a sua essência é permanente e revitaliza-se graças a uma nova fé canalizada numa nova religião. Tomando vários aspectos, mas perpetuando-se através dos tempos, a sua mensagem é eterna; a sua forma muda, mas o homem que a vive é o mesmo.
A Festa de Natal faz parte desses cultos tão velhos quanto a humanidade; embora cristã na sua interpretação religiosa, ela contém em si as mesmas raízes milenárias de tradição indo-europeia, das quais fazem parte elementos célticos, germânicos, greco-romanos, entre outros. Assim, do culto cristão podemos extrair raízes pagãs que, infelizmente, foram muito mal interpretadas durante a Idade Média.
“Esta festa é uma reactualização de um culto tão antigo como o mundo. A sua finalidade é muito importante, pois é um ponto de encontro entre o visível e o invisível”
O termo pagão, que deriva do latim “paganus”, significava um camponês ou campónio. Quando Teodósio triunfou sobre o politeísmo greco-romano, numerosas povoações continuaram ainda a praticar certos cultos. Recusando submeter-se à religião dominante, foram chamados de pagãos. Mais tarde, esse termo, quase injurioso, generalizou-se a todos os povos, fazendo de incultas e ignorantes todas as civilizações anteriores ao cristianismo, tais como a Pérsia, Egipto, China, Grécia… Podemos chamá-las politeístas, monoteístas, mitológicas, mas não é correcto designa-las de pagãs.
No ritual do Natal vamos descobrir que a cerimónia da árvore e do Pai Natal vem do Norte e dos Germanos. O Pai Natal representa o Pai do Universo, velho como o tempo, que incarna toda a inteligência. Os seus brinquedos são os arquétipos celestes, os princípios imortais que são o instrumento de base e de fundação da Criação (os primeiros modelos antigos ou formas que constituem este Universo). Assim, o Pai Natal representa o começo e o fim da manifestação; ele distribui aos homens os reflexos ou imagens desses princípios, simbolizados pelos brinquedos, esperando que o homem se liberte do reflexo e se eleve até à origem das coisas. Este Pai Natal é também sábio e omnipresente, pois distribui a cada um o que lhe é devido, segundo a sua natureza e os seus actos.
A árvore de Natal, eternamente verde, representa a árvore da vida que tem as suas raízes na terra, o seu vértice nas nuvens e o seu tronco como intermediário ou escada entre o visível e o invisível. Esta árvore de Natal que nos chega através dos Germanos – eles próprios a trouxeram do Oriente durante as suas migrações –, representa o universo. Asbolas multicolores não são nada mais que as esferas planetárias, as estrelas e as constelações estelares. A estrela do vértice, a “estrela” Vénus, é o símbolo do homem que encontrou um ponto de reunião entre a harmonia exterior e a interior. Esta “estrela”
Vénus anuncia o despertar do homem novo, o homem que renasce das suas dúvidas, dos seus receios e que se fixa no centro de si próprio a fim de transcender o perecível. Tal era a significação desta estrela mensageira que anuncia o aparecimento do Salvador: aquele que abrirá as trevas do Inverno ou da morte, para reconduzir a humanidade dispersa. É o amor do Divino pela humanidade, procurando reunir o Céu e a Terra ou o homem com o Deus interior.
O Presépio é um dos elementos mais completos desta festividade. A gruta em que esta esperança nova ou menino Jesus vai nascer, também representa a sombria caverna do nosso ser interior. A Luz nasce da obscuridade como o Sol renasce da noite. Ela representa a matriz, o berço primordial protegido pela palha, que simboliza o elemento seco que emerge das águas caóticas da concepção. A Virgem é a natureza pura, o receptáculo imaculado, Maria, Maia, Matriz. A raiz “M”, em sânscrito, significa as águas que preparam, que protegem, que alimentam e permitem que a evolução se faça. Se Maria é o elemento passivo, Aquela que recebe, José é o elemento activo. Ele será o divino carpinteiro, Aquele que fixará, com os seus pregos, as primeiras fundações desta existência divina pois, quando os ângulos estão fixos, produz-se uma fricção. É desta reunião e fricção que vai nascer a chama.
No presépio, a vaca representa o elemento construtor, positivo da obra divina. É a que sopra o bafo quente sobre o menino em sinal de protecção. O seu leite simboliza o conhecimento, o elemento que destrói a ignorância. O seu rugido (“Meu…”) é um som constante que permite a continuidade do Princípio ou da Essência: o elemento conservador. O burro está ligado ao planeta Saturno; Seth no Egipto, princípio de transformação. “Ih – Eh” são dois sons que simbolizam a dualidade: mundo das experiências, do tempo, dos ciclos, da transformação; é o aspecto destruidor, o que destrói o perecível, o temporal. O cordeiro simboliza a pureza, a inocência e os pastores são os condutores do rebanho terrestre que irão ser suplantados por um Pastor Celeste. Os reis magos simbolizam, num dos seus aspectos, as raças da humanidade que vêm servir este novo príncipe de uma humanidade melhor e mais espiritual.
O período de Natal é igualmente importante pelo facto de coincidir com o solstício de Inverno. É a morte física para o renascimento espiritual. A vitalidade da natureza está no seu ponto descendente, mas ela pode trabalhar no interior, preparando a Primavera no coração do Inverno. Veremos que, no Egipto, Horus nasceu em Dezembro; Mitra e Agni a 25 desse mês. Todos são Deuses do Fogo interior.
Este período de festa era também assinalado pelos povos celtas. No solstício de Inverno, os druidas ou sacerdotes dos rituais sagrados, dirigiam-se a uma colina alta com um ramo de “gui” na mão. Ao bater com estes ramos na palma da mão produziam um som que tinha o poder mágico de despertar a vida. O “gui” é uma planta que tem a propriedade de aquecer tudo aquilo em que toca. Este poder de suprimir o frio e a estagnação do Inverno provém da sua cor verde, símbolo da esperança e do crescimento, da sua robustez que exprime a força de vontade e dos seus espinhos que representam as provações da vida que vão fazer trabalhar a consciência. Os druidas, ao produzirem esse som mágico apelavam ao despertar interno, refazendo com esse gesto um pacto de aliança entre os ciclos do homem e da natureza.
O azevinho representa o caminho da evolução. O vermelho está ligado ao sacrifício (que significa sagrado ofício): dar qualquer coisa de si próprio a fim de adquirir algo de superior. Assim, podemos dizer que o azevinho é o aspecto activo, de transformação e o “gui” o aspecto passivo, de purificação interior.
Na América pré-colombiana celebrava-se, em determinadas épocas, a Festa do Fogo Novo, intercalada em vários ciclos e calendários (solar, agrícola, mágico, estelar). Esta celebração reproduzia-se sob diversas escalas. No seu ciclo curto, todos os anos, num período que correspondia, para nós, ao solstício de Inverno (7 acatl do calendário azteca) os povos abandonavam as suas cidades e dirigiam-se para um ponto alto da região. Celebrava-se, então, a festa menor do Fogo Novo.
Como grandes observadores que eram da natureza, tinham constatado que o sol, neste período, decresce em força e parece afastar-se da Terra. O astro solar lutava contra a força da inacção e de morte aparente, e o homem podia unir-se a esta luta velada recriando uma nova força, um novo fogo (no sentido de renovado). Assim, no silêncio da noite, o sacerdote atava dois ramos de madeira de natureza diferente (mole e duro) que produziam, por fricção, o fogo novo.
Para os povos meso-americanos, este Fogo Novo identificava-se com a serpente verde ou faísca divina da libertação. Esta chama simbolizava também o planeta Vénus, que representava Quetzalcoatl, o homem duplo, serpente-ave, aquele que reúne a dualidade e se transforma em mensageiro. Tal como Vénus, que anuncia o nascer do Sol. Quetzalcoatl anuncia uma nova era, a quinta era, a era do homem novo.
Nas tradições greco-romanas também se festejava o período compreendido entre fins de Dezembro e princípios de Janeiro sob o nome de Saturnais: IAO – SATURNALIS, tal era o grito de saudação a Saturno, senhor do tempo, da noite e do regresso à origem.
Em conclusão podemos dizer que foi nosso objectivo não só fazer uma pequena “viagem” à volta das diferentes formas de festejar o Natal, como também redescobrir o verdadeiro sentido desta festa.
Recordemos que esta tem para o homem um papel regenerador, ou seja, dá-lhe a possibilidade de revitalizar e fortificar a sua natureza interna: reunir nele aquilo que de melhor tem dentro de si. De uma certa forma, ao participar nesta festividade, o homem poderá levar uma centelha a esta chama nova, a única capaz de fundir a neve e dissipar as trevas. E o milagre do Natal reside neste grão de esperança que dorme em cada um de nós." (Autor: Françoise Terseur/Nova Acropole)
As formas do culto podem modificar-se com as épocas, as civilizações, as religiões, mas a sua essência é permanente e revitaliza-se graças a uma nova fé canalizada numa nova religião. Tomando vários aspectos, mas perpetuando-se através dos tempos, a sua mensagem é eterna; a sua forma muda, mas o homem que a vive é o mesmo.
A Festa de Natal faz parte desses cultos tão velhos quanto a humanidade; embora cristã na sua interpretação religiosa, ela contém em si as mesmas raízes milenárias de tradição indo-europeia, das quais fazem parte elementos célticos, germânicos, greco-romanos, entre outros. Assim, do culto cristão podemos extrair raízes pagãs que, infelizmente, foram muito mal interpretadas durante a Idade Média.
“Esta festa é uma reactualização de um culto tão antigo como o mundo. A sua finalidade é muito importante, pois é um ponto de encontro entre o visível e o invisível”
O termo pagão, que deriva do latim “paganus”, significava um camponês ou campónio. Quando Teodósio triunfou sobre o politeísmo greco-romano, numerosas povoações continuaram ainda a praticar certos cultos. Recusando submeter-se à religião dominante, foram chamados de pagãos. Mais tarde, esse termo, quase injurioso, generalizou-se a todos os povos, fazendo de incultas e ignorantes todas as civilizações anteriores ao cristianismo, tais como a Pérsia, Egipto, China, Grécia… Podemos chamá-las politeístas, monoteístas, mitológicas, mas não é correcto designa-las de pagãs.
No ritual do Natal vamos descobrir que a cerimónia da árvore e do Pai Natal vem do Norte e dos Germanos. O Pai Natal representa o Pai do Universo, velho como o tempo, que incarna toda a inteligência. Os seus brinquedos são os arquétipos celestes, os princípios imortais que são o instrumento de base e de fundação da Criação (os primeiros modelos antigos ou formas que constituem este Universo). Assim, o Pai Natal representa o começo e o fim da manifestação; ele distribui aos homens os reflexos ou imagens desses princípios, simbolizados pelos brinquedos, esperando que o homem se liberte do reflexo e se eleve até à origem das coisas. Este Pai Natal é também sábio e omnipresente, pois distribui a cada um o que lhe é devido, segundo a sua natureza e os seus actos.
A árvore de Natal, eternamente verde, representa a árvore da vida que tem as suas raízes na terra, o seu vértice nas nuvens e o seu tronco como intermediário ou escada entre o visível e o invisível. Esta árvore de Natal que nos chega através dos Germanos – eles próprios a trouxeram do Oriente durante as suas migrações –, representa o universo. Asbolas multicolores não são nada mais que as esferas planetárias, as estrelas e as constelações estelares. A estrela do vértice, a “estrela” Vénus, é o símbolo do homem que encontrou um ponto de reunião entre a harmonia exterior e a interior. Esta “estrela”
Vénus anuncia o despertar do homem novo, o homem que renasce das suas dúvidas, dos seus receios e que se fixa no centro de si próprio a fim de transcender o perecível. Tal era a significação desta estrela mensageira que anuncia o aparecimento do Salvador: aquele que abrirá as trevas do Inverno ou da morte, para reconduzir a humanidade dispersa. É o amor do Divino pela humanidade, procurando reunir o Céu e a Terra ou o homem com o Deus interior.
O Presépio é um dos elementos mais completos desta festividade. A gruta em que esta esperança nova ou menino Jesus vai nascer, também representa a sombria caverna do nosso ser interior. A Luz nasce da obscuridade como o Sol renasce da noite. Ela representa a matriz, o berço primordial protegido pela palha, que simboliza o elemento seco que emerge das águas caóticas da concepção. A Virgem é a natureza pura, o receptáculo imaculado, Maria, Maia, Matriz. A raiz “M”, em sânscrito, significa as águas que preparam, que protegem, que alimentam e permitem que a evolução se faça. Se Maria é o elemento passivo, Aquela que recebe, José é o elemento activo. Ele será o divino carpinteiro, Aquele que fixará, com os seus pregos, as primeiras fundações desta existência divina pois, quando os ângulos estão fixos, produz-se uma fricção. É desta reunião e fricção que vai nascer a chama.
No presépio, a vaca representa o elemento construtor, positivo da obra divina. É a que sopra o bafo quente sobre o menino em sinal de protecção. O seu leite simboliza o conhecimento, o elemento que destrói a ignorância. O seu rugido (“Meu…”) é um som constante que permite a continuidade do Princípio ou da Essência: o elemento conservador. O burro está ligado ao planeta Saturno; Seth no Egipto, princípio de transformação. “Ih – Eh” são dois sons que simbolizam a dualidade: mundo das experiências, do tempo, dos ciclos, da transformação; é o aspecto destruidor, o que destrói o perecível, o temporal. O cordeiro simboliza a pureza, a inocência e os pastores são os condutores do rebanho terrestre que irão ser suplantados por um Pastor Celeste. Os reis magos simbolizam, num dos seus aspectos, as raças da humanidade que vêm servir este novo príncipe de uma humanidade melhor e mais espiritual.
O período de Natal é igualmente importante pelo facto de coincidir com o solstício de Inverno. É a morte física para o renascimento espiritual. A vitalidade da natureza está no seu ponto descendente, mas ela pode trabalhar no interior, preparando a Primavera no coração do Inverno. Veremos que, no Egipto, Horus nasceu em Dezembro; Mitra e Agni a 25 desse mês. Todos são Deuses do Fogo interior.
Este período de festa era também assinalado pelos povos celtas. No solstício de Inverno, os druidas ou sacerdotes dos rituais sagrados, dirigiam-se a uma colina alta com um ramo de “gui” na mão. Ao bater com estes ramos na palma da mão produziam um som que tinha o poder mágico de despertar a vida. O “gui” é uma planta que tem a propriedade de aquecer tudo aquilo em que toca. Este poder de suprimir o frio e a estagnação do Inverno provém da sua cor verde, símbolo da esperança e do crescimento, da sua robustez que exprime a força de vontade e dos seus espinhos que representam as provações da vida que vão fazer trabalhar a consciência. Os druidas, ao produzirem esse som mágico apelavam ao despertar interno, refazendo com esse gesto um pacto de aliança entre os ciclos do homem e da natureza.
O azevinho representa o caminho da evolução. O vermelho está ligado ao sacrifício (que significa sagrado ofício): dar qualquer coisa de si próprio a fim de adquirir algo de superior. Assim, podemos dizer que o azevinho é o aspecto activo, de transformação e o “gui” o aspecto passivo, de purificação interior.
Na América pré-colombiana celebrava-se, em determinadas épocas, a Festa do Fogo Novo, intercalada em vários ciclos e calendários (solar, agrícola, mágico, estelar). Esta celebração reproduzia-se sob diversas escalas. No seu ciclo curto, todos os anos, num período que correspondia, para nós, ao solstício de Inverno (7 acatl do calendário azteca) os povos abandonavam as suas cidades e dirigiam-se para um ponto alto da região. Celebrava-se, então, a festa menor do Fogo Novo.
Como grandes observadores que eram da natureza, tinham constatado que o sol, neste período, decresce em força e parece afastar-se da Terra. O astro solar lutava contra a força da inacção e de morte aparente, e o homem podia unir-se a esta luta velada recriando uma nova força, um novo fogo (no sentido de renovado). Assim, no silêncio da noite, o sacerdote atava dois ramos de madeira de natureza diferente (mole e duro) que produziam, por fricção, o fogo novo.
Para os povos meso-americanos, este Fogo Novo identificava-se com a serpente verde ou faísca divina da libertação. Esta chama simbolizava também o planeta Vénus, que representava Quetzalcoatl, o homem duplo, serpente-ave, aquele que reúne a dualidade e se transforma em mensageiro. Tal como Vénus, que anuncia o nascer do Sol. Quetzalcoatl anuncia uma nova era, a quinta era, a era do homem novo.
Nas tradições greco-romanas também se festejava o período compreendido entre fins de Dezembro e princípios de Janeiro sob o nome de Saturnais: IAO – SATURNALIS, tal era o grito de saudação a Saturno, senhor do tempo, da noite e do regresso à origem.
Em conclusão podemos dizer que foi nosso objectivo não só fazer uma pequena “viagem” à volta das diferentes formas de festejar o Natal, como também redescobrir o verdadeiro sentido desta festa.
Recordemos que esta tem para o homem um papel regenerador, ou seja, dá-lhe a possibilidade de revitalizar e fortificar a sua natureza interna: reunir nele aquilo que de melhor tem dentro de si. De uma certa forma, ao participar nesta festividade, o homem poderá levar uma centelha a esta chama nova, a única capaz de fundir a neve e dissipar as trevas. E o milagre do Natal reside neste grão de esperança que dorme em cada um de nós." (Autor: Françoise Terseur/Nova Acropole)
Múmia bem preservada e amuletos de deuses são encontrados no Egito
"Identidade da múmia, que tem ao menos 2,5 mil anos de idade, ainda é um mistério para especialistas.
Arqueólogos descobriram várias múmias – incluindo uma extremamente bem preservada, envolta em bandagens de linho – em uma tumba ao longo da margem oeste do rio Nilo, na cidade de Assuã. O túmulo de 2,5 mil anos provavelmente foi usado para um funeral comunitário, conforme afirmou em comunicado Abdel Moneim Saeed, diretor do Ministério de Antiguidades do Egito.
Os restos do corpo quase intacto estão dentro de um sarcófago. Não há nenhuma escrita nele, e sua identidade ainda não pôde ser determinada.
De acordo com o comunicado do Ministério, três outras tumbas foram descobertas na mesma região. Fragmentos de pinturas, textos escritos com hieróglifos e pedaços de sarcófagos de argila também foram encontrados. No momento, pesquisadores se concentrarão em suas análises para tentar decifrar os textos.

Todos os túmulos contêm restos de amuletos de faiança (cerâmica vidrada). Imagens divulgadas pelo Ministério mostram que alguns desses objetos têm a forma de deuses egípcios, como Anúbis, o deus dos mortos. Arqueólogos também descobriram a cabeça de uma esfinge de arenito em um das tumbas, que também ainda não foi identificada.
Para especialistas, as descobertas datam da Época Baixa do Antigo Egito, que durou de 712 a.C. até 332 a.C.. Durante esse tempo, o Egito ficou alguns períodos sob o controle de potências estrangeiras, como o Reino de Cuxe, Assíria e Pérsia.
De acordo com o ministério, não está claro se a múmia bem preservada era de alguma pessoa estrangeira. (Fonte: Galileu)
Arqueólogos descobriram várias múmias – incluindo uma extremamente bem preservada, envolta em bandagens de linho – em uma tumba ao longo da margem oeste do rio Nilo, na cidade de Assuã. O túmulo de 2,5 mil anos provavelmente foi usado para um funeral comunitário, conforme afirmou em comunicado Abdel Moneim Saeed, diretor do Ministério de Antiguidades do Egito.
Os restos do corpo quase intacto estão dentro de um sarcófago. Não há nenhuma escrita nele, e sua identidade ainda não pôde ser determinada.
De acordo com o comunicado do Ministério, três outras tumbas foram descobertas na mesma região. Fragmentos de pinturas, textos escritos com hieróglifos e pedaços de sarcófagos de argila também foram encontrados. No momento, pesquisadores se concentrarão em suas análises para tentar decifrar os textos.
Todos os túmulos contêm restos de amuletos de faiança (cerâmica vidrada). Imagens divulgadas pelo Ministério mostram que alguns desses objetos têm a forma de deuses egípcios, como Anúbis, o deus dos mortos. Arqueólogos também descobriram a cabeça de uma esfinge de arenito em um das tumbas, que também ainda não foi identificada.
Para especialistas, as descobertas datam da Época Baixa do Antigo Egito, que durou de 712 a.C. até 332 a.C.. Durante esse tempo, o Egito ficou alguns períodos sob o controle de potências estrangeiras, como o Reino de Cuxe, Assíria e Pérsia.
De acordo com o ministério, não está claro se a múmia bem preservada era de alguma pessoa estrangeira. (Fonte: Galileu)
Fotos: EGYPTIAN MINISTRY OF ANTIQUITIES
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
A Ordem e o Rito em Portugal
A.’. G.’. D.’. S.’. A.’. D.’. M.’.
ORDEM INTERNACIONAL DO RITO ANTIGO E PRIMITIVO DE MEMPHIS MISRAIM
Soberano Santuário de França e Países Associados

A ORDEM E O RITO EM PORTUGAL
1. A ORDEM INTERNACIONAL DO RITO ANTIGO E PRIMITIVO DE MEMPHIS MISRAIM (OIRAPMM) está presente em Portugal desde o ano de 2008 por decisão do seu Presidente e Grão Mestre Mundial (Willy Raemakers), de 30 de Janeiro.
2. Em Março do mesmo ano e através do Grão Mestre da Grande Loja Francesa (via masculina), da OIRAPMM, o N.’.S.’.I.’. Bernard Trinquet foi constituído e regularizado no seio da Ordem o R.’.T.’. Fénix, a Oriente de Lisboa.
3. Em 27 de Setembro de 2008 foi assinado em Lisboa o “Acordo de Reconhecimento” entre a Grande Loja Francesa, masculina, da OIRAPMM e o Grande Oriente Lusitano (GOL). Este Acordo foi assinado pelo Grão Mestre da Grande Loja Francesa, masculina, da OIRAPMM, N.’.S.’.I.’. Bernard Trinquet e pelo Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, N.’.S.’.I.’. António Reis.
4. Em 02 de Setembro de 2010, face à crescente adesão ao Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraïm e consequente constituição de novas Lojas, a OIRAPMM, através do seu Presidente e Grão Mestre Mundial (Willy Raemakers) decide constituir uma “Grande Loja Simbólica de Portugal da Ordem Internacional do Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraïm”. Da implantação do Rito em Portugal resultaria a constituição da Grande Loja Simbólica de Portugal cujo Grão Mestre foi igualmente o N.’.S.’.I.’. Bernard Trinquet.
5. Esta denominada “Grande Loja Simbólica de Portugal da OIRAPMM” seria constituída em 21 de Maio de 2011. Na presença do Grão Mestre Mundial (Willy Raemakers) e do Grão Mestre de França (Bernard Trinquet), em Lisboa, na sede do Grande Oriente Lusitano.
6. Em Fevereiro de 2013 foi constituída a R.’.L.’. Udjat a Oriente do Porto (via masculina).
7. Em Novembro de 2015 a denominada “Grande Loja Simbólica de Portugal” da OIRAPMM decidiu abandonar a Ordem e o Rito, adoptando o Rito Egípcio praticado pelo Grande Oriente de França.
8. Mantém-se na OIRAPMM, estudando e praticando o Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraïm, na sua plenitude e respeitando integralmente a Tradição, bem como a sua Hierarquia Iniciática, a R.’.L.’. UDJAT (via masculina), o R.’.T.’. TAURT (via feminina) e o R.’.T.’. PHILADELPHIA DE MEMPHIS (via mista) que actualmente constituem a representação da Ordem em Portugal.
9. Integramo-nos na Maçonaria Universal como um dos seus ramos, respeitando integralmente os Rituais da Antiga Tradição de Memphis Misraïm, com Rigor, Legitimidade, Credibilidade, baseadas na Iniciação e no Rito e fundadas no respeito pela Hierarquia Iniciática.
10. O Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraïm, de Tradição Egípcia da Maçonaria Simbólica e Iniciática, de inspiração deísta, o que implica uma consequente vertente espiritual que se referencia ao “Grande Arquitecto do Universo” ou “Sublime Arquitecto de Todos os Mundos”, e que também se pode definir como a fonte do Amor e da Alegria.
O.’.I.’.R.’.A.’.P.’.M.’.M.’.
Delegação Portuguesa
A Oriente do Porto, 15 de Novembro de 2018
... mais informações.
O Santuário de Memphis, livro de Marconis de Nègre
"Este livro é uma reprodução fiel de uma obra publicada antes de 1920 e faz parte de uma coleção de livros reimpressos a pedido editados pela Hachette Livre, no âmbito de uma parceria com a Biblioteca Nacional da França, oferecendo a oportunidade de acesso a obras antigas e raras dos fundos patrimoniais do BnF."
... mais informações sobre o livro na "Área Reservada".
... mais informações sobre o livro na "Área Reservada".
Descoberta esfinge da dinastia ptolemaica no Egito
"Artefacto tem 35 centímetros de altura e 28 de largura. Remonta a dinastia que governou antigo Egito entre 303 a.C e e 30 a.C.
Um grupo de arqueólogos egípcios descobriu uma estátua de uma esfinge enquanto drenavam água do templo faraónico de Kom Ombo, no Egito.
O ministério das antiguidades, segundo a BBC, reagiu à descoberta e deu mais pormenores relativamente ao artefacto. É efeito de arenito, tem 28 centímetros de largura e 38 de altura, e deverá remontar à dinastia ptolemaica construído entre 303 a.C e e 30 a.C.
Abdul Moneim Saeed, do ministério das antiguidade referiu ainda que a esfinge será analisada e utilizada para estudos futuros.
No antigo Egito, a esfinge representava o poder real, numa combinação entre a força do leão e o poder do rei." (Fonte: Noticias ao minuto).
Um grupo de arqueólogos egípcios descobriu uma estátua de uma esfinge enquanto drenavam água do templo faraónico de Kom Ombo, no Egito.
O ministério das antiguidades, segundo a BBC, reagiu à descoberta e deu mais pormenores relativamente ao artefacto. É efeito de arenito, tem 28 centímetros de largura e 38 de altura, e deverá remontar à dinastia ptolemaica construído entre 303 a.C e e 30 a.C.
Abdul Moneim Saeed, do ministério das antiguidade referiu ainda que a esfinge será analisada e utilizada para estudos futuros.
No antigo Egito, a esfinge representava o poder real, numa combinação entre a força do leão e o poder do rei." (Fonte: Noticias ao minuto).
Fotos: Reuters
terça-feira, 2 de outubro de 2018
Importância do acervo egípcio do Museu Nacional na História do Brasil
"O acervo egípcio do Museu Nacional confunde-se com a própria História do Brasil. Para demonstrar essa relação, o artigo voltará aos primeiros anos da Independência. Passará ao Reinado de Dom Pedro II, considerado o pai da Egiptologia Brasileira. Finalmente, verificará a importância histórica das principais peças do Egito Antigo para a ciência.
O regime imperial e o iluminismo maçônico
Em 7 de setembro de 1822, o Brasil tornou-se independente de Portugal. Dom Pedro I foi coroado o primeiro monarca do recém-fundado Império do Brasil. Diferentemente dos novos países oriundos da antiga América Espanhola que adotaram o regime republicano, o Brasil tornava-se uma monarquia.
Por sua grandiosa extensão geográfica, nasceu como um Império, considerado naquela época como a mais avançada das formas de governos.
Dois anos depois, Dom Pedro I foi iniciado na Maçonaria. O nome escolhido em sua iniciação foi Guatimozin, o último Imperador Asteca. O simbolismo remetia à ideia de retorno de um grande Império nas Américas. Assim, o regime imperial brasileiro podia, portanto, reivindicar seu lugar numa linhagem histórica e assim perfilar ao lado de Egito, Assíria, Roma, França, Grã-Bretanha, mas também o pré-colombiano Asteca.
A Grande Loja Maçônica Unida da Inglaterra havia sido fundada 1717. Logo, lojas maçônicas espalharam-se pela Europa e América, tornando-se o refúgio secreto de defensores dos ideais iluministas. O Grande Oriente da França, fundado em 1728, passou a ser o difusor de valores revolucionários que culminariam em slogans como “liberdade, igualdade e fraternidade”. A
Revolução Francesa foi o ponto de culminância desses ideais iluministas. Sua influência viria a se fazer presente em todos os processos de Independência nas Américas.
Com as notáveis diferenças políticas entre a conservadora Maçonaria inglesa e a revolucionária Maçonaria francesa, ocorreu uma dispersão de ritos maçônicos, baseados em tradições distintas.
Quanto mais ocultista o rito, mais ele aproximava-se do Antigo Egito, da cabala judaico-cristã, do helenismo clássico greco-romano e da alquimia medieval e renascentista. A maior influência egípcia chegou nos ritos maçônicos no contexto do retorno da expedição de Napoleão.
A Egiptologia e a Egiptomania
Napoleão retornou à França em 1801 após uma campanha militar e científica no Egito. Como propaganda de sua expedição, Napoleão passou a ser um promotor do Antigo Egito na França e na Europa. Logo, o interesse por esta civilização tornou-se uma febre entre as monarquias imperiais, nobrezas e burguesias europeias e americanas. A publicação de livros, realização de feiras e a incorporação de peças egípcias ao Museu do Louvre, ajudaram a popularizar esta civilização, que era adotada pelos impérios europeus como exemplo de longa durabilidade. Afinal, o regime faraônico sobreviveu por três mil anos, algo nunca alcançado mesmo até hoje.
Em 1804, Napoleão corou-se Imperador da França, utilizando-se de inúmeras referências ao Antigo Egito para legitimar sua posição. Difundir a glória e a grandeza do Antigo Egito, era uma forma também de reconhecer a França Imperial. Em 1822, mesmo ano da Independência do Brasil, o linguista francês Jean François Champollion completou o deciframento da escrita hieroglífica egípcia. A partir deste momento, a História do Antigo Egito deixava de ser escrita apenas pelo olhar da bíblia e dos relatos gregos e passava a falar por si mesma. Surgia uma nova ciência, batizada de Egiptologia, que se tornou o campo de estudo de tudo aquilo que se relaciona ao Antigo Egito. A febre que isto despertou, levou ao surgimento de um fenômeno de massas: a Egiptomania, que se alimentava de cada nova descoberta, das peças que chegavam à Europa, das publicações e viagens turísticas pelo Nilo que eram obrigatórias a qualquer magnata europeu ou americano.
Neste contexto, o italiano Giovanni Battista Belzoni pilhava o Egito em busca de tesouros antigos. Belzoni tornou-se um verdadeiro saqueador e contrabandista de peças para a Europa, abastecendo antiquários, museus e coleções privadas. Parte deste carregamento foi trazido às Américas. É aqui que a História Egípcia Antiga encontra-se com a História Brasileira.
O Egito Antigo no Brasil Imperial
No ano de 1826, ocorreu um fato que viria a reforçar a construção ideológica do recém fundado Brasil com o mais duradouro Império da História: o Antigo Egito. Um contrabandista italiano chamado Nicolau Fiengo levava a Buenos Aires um carregamento de peças egípcias, de objetos provavelmente oriundos das pilhagens de Belzoni. Contudo, ao atracar no porto do Rio de Janeiro, teve a notícia de que o país vizinho encontrava-se em meio a uma Revolução. Por isto, decidiu leiloar suas peças na capital do jovem Império. Dom Pedro I arrematou todas e doou-as ao Museu Real, fundado em 1818 por Dom João VI, hoje conhecido por Museu Nacional. A maior parte delas vinha do Vale dos Reis, na antiga Tebas e atual Luxor.
Dom Pedro I abdicou ao trono em 1831. Só veio a ser substituído por seu filho, Dom Pedro II, em 1840. Este segundo monarca teve um longo Reinado e foi conhecido por ter sido um patrocinador da ciência, da educação, da cultura e das artes. Sua paixão declarada era o Antigo Egito. Por isto, ele é conhecido como o pai da Egiptologia Brasileira.
Dom Pedro II esteve duas vezes no Egito. Era amigo pessoal do Egiptólogo francês Auguste Marriette, com quem aparece na foto junto à Esfinge, tirada com a Família Real. Em 1876, Dom Pedro II foi presenteado pelo quediva Ismaili com um esquife intacto com sua múmia dentro. Ele pertencera à cantora do templo de Karnak, Sha-Amun-en-Su. O esquife ficava na própria sala do Imperador, de onde ele despachava, no mesmo palácio da Quinta da Boa Vista que viria a ser a sede do Museu Nacional após a proclamação da República.
O acervo egípcio do Museu Nacional
Com a queda do regime imperial, o acervo egípcio perdia sua importância política e passava a ser reconhecido por seu valor científico. Em 1901, as estelas funerárias e votivas da coleção foram fotografadas para o Grande Dicionário Hieroglífico de Berlim. Em 1919, foi publicado o Guia das Coleções de Arqueologia Clássica do Museu Nacional, incluindo o acervo egípcio.
Atualmente, compunha-se de 700 peças, sendo o maior acervo de Egiptologia da América Latina. Ele continha peças que cobriam praticamente toda a História do Antigo Egito, desde o período Pré-Dinástico (entre 5 mil a 3 mil aEC) ao período Romano (de 32 aEC a 395 EC). A maior parte era, contudo, do período Faraônico (80% das peças, de 3 mil aEC a 32 EC), especialmente do Novo Reinado (1550 a 1069 aEC ) e do III Período Intermediário (1069 a 332 aEC.).
No acervo, encontrava-se diversos objetos, a maioria de contexto religioso e funerário. Havia papiros, estátuas de Deuses e Deusas, estelas funerárias e votivas, shabits (imagens de pessoas para acompanharem o finado no além-vida), amuletos para proteger o corpo mumificado, esquifes, vasos canópicos (para guardar os órgãos do morto) e múmias de gatos, filhotes de crocodilos, íbis, tartarugas e humanos.
As múmias humanas do Museu Nacional pertenceram a: 1) Hori, um sacerdote de alta hierarquia da 21ª Dinastia (cerca de 1 mil aEC), com os títulos de Escriba Real, Mordomo Real e Superintendente do Harém Real da Esposa Divina de Amon (Rainha do Egito). 2) Sha-Amun-En-Su, cantora do Templo de Amon em Tebas, que auxiliava a Esposa Divina de Amon em suas funções ritualísticas na 22ª Dinastia (cerca de 750 aEC). 3) Harsiese, da 26ª Dinastia (cerca de 650 aEC), também foi um alto funcionário na região tebana. 4) Finalmente, a “múmia feminina” que não tinha seu esquife para identificá-la e viveu provavelmente no século I aEC.
Recentemente, a equipe de pesquisadores do Museu Nacional estudou múmias utilizando tecnologias da medicina moderna como tomografia computadorizada com escaneamento em 3D de cada uma de suas camadas. A múmia de Sha-Amun-en-Su era de grande interesse à Egiptologia por ser uma das poucas no mundo que continuavam intactas dentro do esquife. Ela estava intocada, inclusive com seus amuletos colocados nas partes do corpo em que se encobria com encantamentos mágicos para protegê-la no além-vida. Um feitiço que durou quase 3 milênios, até o fatídico 2 de setembro de 2018, quando o Museu Nacional pegou fogo.
O acervo egípcio após o incêndio
Ainda não foi autorizado pela perícia o processo de salvamento das peças, pois os bombeiros estão investigando as causas que levaram ao incêndio. Existe a esperança de que artefatos de pedras como estátuas, estelas, shabits e vasos canópicos estejam ao menos parcialmente preservados. Dificilmente as múmias estarão inteiras. Em função da comoção gerada pelo incêndio, acredita-se que novas peças possam ser doadas ou adquiridas para se montar uma nova coleção.
O acervo egípcio do Museu Nacional era reconhecidamente o maior da América Latina, internacionalmente respeitado. Agora, resta no Brasil o pequeno acervo egípcio do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP em São Paulo e as poucas peças originais no Museu Egípcio Rosacruz em Curitiba. O fato é que este desastre foi sentido por toda Egiptologia internacional.
Justamente no ano em que o Egito inaugurará o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização, com as mais modernas tecnologias empregadas. O antigo Museu do Cairo era objeto de críticas por mais parecer um depósito de peças. Mas agora, o novo Museu, de dimensões faraônicas, mostrará ao mundo a importância que esta civilização teve no desenvolvimento da humanidade. Uma lição que o Brasil pode extrair para preservar melhor sua própria memória.
A importância do Antigo Egito para a humanidade
Se ainda resta alguma dúvida sobre a importância de se estudar o Antigo Egito, vale lembrar que eles foram o primeiro Estado a identificar-se com território e povo, muito antes de existir o que hoje chama-se “nação”. Tinham uma economia estatizada, forte e centralizada, um mercado interno e um comércio exterior integrado na geopolítica e nas rede caravanas e navegações da África, Mediterrâneo e Oriente Médio. Foram capazes de comandarem economicamente o desenvolvimento das forças produtivas materiais, tendo a máxima expressão na arquitetura com pedras, realizando “obras faraônicas” como pirâmides, palácios, templos colossais e cidades meticulosamente planejadas que eram erguidas e reerguidas no meio da paisagem. Produziram papiros, tinturas, metalurgia, barcos, carros de guerra, armas, tecidos, estatuária, cervejas, vinhos, pães e diversos tipos bens de consumo. Circunavegaram a África 2 mil anos antes dos portugueses e espanhóis.
Desenvolveram áreas do saber que hoje chamamos de matemática, geometria, gramática, história, geografia, química, biologia, medicina, engenharia, arquitetura e astronomia. Do ponto de vista teológico, as religiões judaica, cristã e islâmica beberam da fonte mitológica, literária e dos livros de sabedoria dos egípcios.
Grandes pensadores gregos como Pitágoras, Heráclito e Platão iam da Grécia, ainda pouco expressiva e em processo de formação cultural, ao glorioso Egito dos faraós, referência das antigas sabedorias.
Com o casamento da cultura greco-helenística com a egípcia, surgiu a Escola e Biblioteca de Alexandria. Lá, descobriram que a Terra era redonda, que a órbita dos planetas era elíptica e desenvolveram tanto a teoria geocêntrica quanto a heliocêntrica. Foram ainda os criadores da escrita que inspirou o primeiro alfabeto e criaram tradições literárias próprias que influenciaram diversos outros povos. Vale atentar-se que o Egito Antigo foi uma civilização africana.
Por tudo isto que Dom Pedro I e Dom Pedro II admiravam tanto o Antigo Egito. O mesmo ocorreu com Juscelino Kubtischek quando visitou as ruínas da cidade egípcia de Amarna, onde sonhou um dia ser um chefe de Estado capaz de construir uma capital numa área virgem. Inspirado na arqueoastronomia egípcia, o Plano Piloto de Brasília, criado por Lúcio Costa, é orientado para o Sol.
O prédio do Congresso Nacional alinha-se com o Oriente onde nasce o Astro Rei nos solstícios e equinócios. O mausoléu de JK está no Ocidente, na direção onde os egípcios costumavam sepultar seus mortos. Ele tem o formato de uma mastaba, como faziam os primeiros faraós, antes da era de ouro das Pirâmides ou das tumbas cavadas nos montes do Vale dos Reis.
Conclusão
Por mais que o Antigo Egito pareça uma civilização distante, seu legado influenciou a própria criação do Estado brasileiro no processo de consolidação da Independência. O ideal imperial, inspirado no Antigo Egito faraônico, norteou muitas civilizações. Ironicamente, o mesmo imperialismo que surgiu no Oriente Médio antigo, ao se tornar o projeto de potências europeias capitalistas, levou ao saque e à pilhagem dessas civilizações como forma de legitimar os regimes."
Para que esta área do conhecimento científico, tão pouco desenvolvida no Brasil tenha um futuro de resplendor, é preciso recuperar as peças que forem possíveis e construir uma campanha internacional para formar um novo acervo no Museu Nacional. Que este desastre ao menos tenha servido para se ganhar corações e mentes da população e das autoridades brasileiras para a importância dos museus e da preservação da memória coletiva de um povo.
Se existe um principal legado que os egípcios deixaram à humanidade é o do entendimento do significado da imortalidade. Na visão egípcia, algo só morre de fato quando deixa de ser mencionado.
Portanto, preservar a cultura material e os documentos escritos é uma forma de garantir a imortalidade de cada período da história mundial e do Brasil. Para que no futuro entendamos o passado o que levou à formações do presente. (Fonte: Vermelho/ por Thomas Henrique de Toledo Stella).
O regime imperial e o iluminismo maçônico
Em 7 de setembro de 1822, o Brasil tornou-se independente de Portugal. Dom Pedro I foi coroado o primeiro monarca do recém-fundado Império do Brasil. Diferentemente dos novos países oriundos da antiga América Espanhola que adotaram o regime republicano, o Brasil tornava-se uma monarquia.
Por sua grandiosa extensão geográfica, nasceu como um Império, considerado naquela época como a mais avançada das formas de governos.
Dois anos depois, Dom Pedro I foi iniciado na Maçonaria. O nome escolhido em sua iniciação foi Guatimozin, o último Imperador Asteca. O simbolismo remetia à ideia de retorno de um grande Império nas Américas. Assim, o regime imperial brasileiro podia, portanto, reivindicar seu lugar numa linhagem histórica e assim perfilar ao lado de Egito, Assíria, Roma, França, Grã-Bretanha, mas também o pré-colombiano Asteca.
A Grande Loja Maçônica Unida da Inglaterra havia sido fundada 1717. Logo, lojas maçônicas espalharam-se pela Europa e América, tornando-se o refúgio secreto de defensores dos ideais iluministas. O Grande Oriente da França, fundado em 1728, passou a ser o difusor de valores revolucionários que culminariam em slogans como “liberdade, igualdade e fraternidade”. A
Revolução Francesa foi o ponto de culminância desses ideais iluministas. Sua influência viria a se fazer presente em todos os processos de Independência nas Américas.
Com as notáveis diferenças políticas entre a conservadora Maçonaria inglesa e a revolucionária Maçonaria francesa, ocorreu uma dispersão de ritos maçônicos, baseados em tradições distintas.
Quanto mais ocultista o rito, mais ele aproximava-se do Antigo Egito, da cabala judaico-cristã, do helenismo clássico greco-romano e da alquimia medieval e renascentista. A maior influência egípcia chegou nos ritos maçônicos no contexto do retorno da expedição de Napoleão.
A Egiptologia e a Egiptomania
Napoleão retornou à França em 1801 após uma campanha militar e científica no Egito. Como propaganda de sua expedição, Napoleão passou a ser um promotor do Antigo Egito na França e na Europa. Logo, o interesse por esta civilização tornou-se uma febre entre as monarquias imperiais, nobrezas e burguesias europeias e americanas. A publicação de livros, realização de feiras e a incorporação de peças egípcias ao Museu do Louvre, ajudaram a popularizar esta civilização, que era adotada pelos impérios europeus como exemplo de longa durabilidade. Afinal, o regime faraônico sobreviveu por três mil anos, algo nunca alcançado mesmo até hoje.
Em 1804, Napoleão corou-se Imperador da França, utilizando-se de inúmeras referências ao Antigo Egito para legitimar sua posição. Difundir a glória e a grandeza do Antigo Egito, era uma forma também de reconhecer a França Imperial. Em 1822, mesmo ano da Independência do Brasil, o linguista francês Jean François Champollion completou o deciframento da escrita hieroglífica egípcia. A partir deste momento, a História do Antigo Egito deixava de ser escrita apenas pelo olhar da bíblia e dos relatos gregos e passava a falar por si mesma. Surgia uma nova ciência, batizada de Egiptologia, que se tornou o campo de estudo de tudo aquilo que se relaciona ao Antigo Egito. A febre que isto despertou, levou ao surgimento de um fenômeno de massas: a Egiptomania, que se alimentava de cada nova descoberta, das peças que chegavam à Europa, das publicações e viagens turísticas pelo Nilo que eram obrigatórias a qualquer magnata europeu ou americano.
Neste contexto, o italiano Giovanni Battista Belzoni pilhava o Egito em busca de tesouros antigos. Belzoni tornou-se um verdadeiro saqueador e contrabandista de peças para a Europa, abastecendo antiquários, museus e coleções privadas. Parte deste carregamento foi trazido às Américas. É aqui que a História Egípcia Antiga encontra-se com a História Brasileira.
O Egito Antigo no Brasil Imperial
No ano de 1826, ocorreu um fato que viria a reforçar a construção ideológica do recém fundado Brasil com o mais duradouro Império da História: o Antigo Egito. Um contrabandista italiano chamado Nicolau Fiengo levava a Buenos Aires um carregamento de peças egípcias, de objetos provavelmente oriundos das pilhagens de Belzoni. Contudo, ao atracar no porto do Rio de Janeiro, teve a notícia de que o país vizinho encontrava-se em meio a uma Revolução. Por isto, decidiu leiloar suas peças na capital do jovem Império. Dom Pedro I arrematou todas e doou-as ao Museu Real, fundado em 1818 por Dom João VI, hoje conhecido por Museu Nacional. A maior parte delas vinha do Vale dos Reis, na antiga Tebas e atual Luxor.
Dom Pedro I abdicou ao trono em 1831. Só veio a ser substituído por seu filho, Dom Pedro II, em 1840. Este segundo monarca teve um longo Reinado e foi conhecido por ter sido um patrocinador da ciência, da educação, da cultura e das artes. Sua paixão declarada era o Antigo Egito. Por isto, ele é conhecido como o pai da Egiptologia Brasileira.
Dom Pedro II esteve duas vezes no Egito. Era amigo pessoal do Egiptólogo francês Auguste Marriette, com quem aparece na foto junto à Esfinge, tirada com a Família Real. Em 1876, Dom Pedro II foi presenteado pelo quediva Ismaili com um esquife intacto com sua múmia dentro. Ele pertencera à cantora do templo de Karnak, Sha-Amun-en-Su. O esquife ficava na própria sala do Imperador, de onde ele despachava, no mesmo palácio da Quinta da Boa Vista que viria a ser a sede do Museu Nacional após a proclamação da República.
O acervo egípcio do Museu Nacional
Com a queda do regime imperial, o acervo egípcio perdia sua importância política e passava a ser reconhecido por seu valor científico. Em 1901, as estelas funerárias e votivas da coleção foram fotografadas para o Grande Dicionário Hieroglífico de Berlim. Em 1919, foi publicado o Guia das Coleções de Arqueologia Clássica do Museu Nacional, incluindo o acervo egípcio.
Atualmente, compunha-se de 700 peças, sendo o maior acervo de Egiptologia da América Latina. Ele continha peças que cobriam praticamente toda a História do Antigo Egito, desde o período Pré-Dinástico (entre 5 mil a 3 mil aEC) ao período Romano (de 32 aEC a 395 EC). A maior parte era, contudo, do período Faraônico (80% das peças, de 3 mil aEC a 32 EC), especialmente do Novo Reinado (1550 a 1069 aEC ) e do III Período Intermediário (1069 a 332 aEC.).
No acervo, encontrava-se diversos objetos, a maioria de contexto religioso e funerário. Havia papiros, estátuas de Deuses e Deusas, estelas funerárias e votivas, shabits (imagens de pessoas para acompanharem o finado no além-vida), amuletos para proteger o corpo mumificado, esquifes, vasos canópicos (para guardar os órgãos do morto) e múmias de gatos, filhotes de crocodilos, íbis, tartarugas e humanos.
As múmias humanas do Museu Nacional pertenceram a: 1) Hori, um sacerdote de alta hierarquia da 21ª Dinastia (cerca de 1 mil aEC), com os títulos de Escriba Real, Mordomo Real e Superintendente do Harém Real da Esposa Divina de Amon (Rainha do Egito). 2) Sha-Amun-En-Su, cantora do Templo de Amon em Tebas, que auxiliava a Esposa Divina de Amon em suas funções ritualísticas na 22ª Dinastia (cerca de 750 aEC). 3) Harsiese, da 26ª Dinastia (cerca de 650 aEC), também foi um alto funcionário na região tebana. 4) Finalmente, a “múmia feminina” que não tinha seu esquife para identificá-la e viveu provavelmente no século I aEC.
Recentemente, a equipe de pesquisadores do Museu Nacional estudou múmias utilizando tecnologias da medicina moderna como tomografia computadorizada com escaneamento em 3D de cada uma de suas camadas. A múmia de Sha-Amun-en-Su era de grande interesse à Egiptologia por ser uma das poucas no mundo que continuavam intactas dentro do esquife. Ela estava intocada, inclusive com seus amuletos colocados nas partes do corpo em que se encobria com encantamentos mágicos para protegê-la no além-vida. Um feitiço que durou quase 3 milênios, até o fatídico 2 de setembro de 2018, quando o Museu Nacional pegou fogo.
O acervo egípcio após o incêndio
Ainda não foi autorizado pela perícia o processo de salvamento das peças, pois os bombeiros estão investigando as causas que levaram ao incêndio. Existe a esperança de que artefatos de pedras como estátuas, estelas, shabits e vasos canópicos estejam ao menos parcialmente preservados. Dificilmente as múmias estarão inteiras. Em função da comoção gerada pelo incêndio, acredita-se que novas peças possam ser doadas ou adquiridas para se montar uma nova coleção.
O acervo egípcio do Museu Nacional era reconhecidamente o maior da América Latina, internacionalmente respeitado. Agora, resta no Brasil o pequeno acervo egípcio do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP em São Paulo e as poucas peças originais no Museu Egípcio Rosacruz em Curitiba. O fato é que este desastre foi sentido por toda Egiptologia internacional.
Justamente no ano em que o Egito inaugurará o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização, com as mais modernas tecnologias empregadas. O antigo Museu do Cairo era objeto de críticas por mais parecer um depósito de peças. Mas agora, o novo Museu, de dimensões faraônicas, mostrará ao mundo a importância que esta civilização teve no desenvolvimento da humanidade. Uma lição que o Brasil pode extrair para preservar melhor sua própria memória.
A importância do Antigo Egito para a humanidade
Se ainda resta alguma dúvida sobre a importância de se estudar o Antigo Egito, vale lembrar que eles foram o primeiro Estado a identificar-se com território e povo, muito antes de existir o que hoje chama-se “nação”. Tinham uma economia estatizada, forte e centralizada, um mercado interno e um comércio exterior integrado na geopolítica e nas rede caravanas e navegações da África, Mediterrâneo e Oriente Médio. Foram capazes de comandarem economicamente o desenvolvimento das forças produtivas materiais, tendo a máxima expressão na arquitetura com pedras, realizando “obras faraônicas” como pirâmides, palácios, templos colossais e cidades meticulosamente planejadas que eram erguidas e reerguidas no meio da paisagem. Produziram papiros, tinturas, metalurgia, barcos, carros de guerra, armas, tecidos, estatuária, cervejas, vinhos, pães e diversos tipos bens de consumo. Circunavegaram a África 2 mil anos antes dos portugueses e espanhóis.
Desenvolveram áreas do saber que hoje chamamos de matemática, geometria, gramática, história, geografia, química, biologia, medicina, engenharia, arquitetura e astronomia. Do ponto de vista teológico, as religiões judaica, cristã e islâmica beberam da fonte mitológica, literária e dos livros de sabedoria dos egípcios.
Grandes pensadores gregos como Pitágoras, Heráclito e Platão iam da Grécia, ainda pouco expressiva e em processo de formação cultural, ao glorioso Egito dos faraós, referência das antigas sabedorias.
Com o casamento da cultura greco-helenística com a egípcia, surgiu a Escola e Biblioteca de Alexandria. Lá, descobriram que a Terra era redonda, que a órbita dos planetas era elíptica e desenvolveram tanto a teoria geocêntrica quanto a heliocêntrica. Foram ainda os criadores da escrita que inspirou o primeiro alfabeto e criaram tradições literárias próprias que influenciaram diversos outros povos. Vale atentar-se que o Egito Antigo foi uma civilização africana.
Por tudo isto que Dom Pedro I e Dom Pedro II admiravam tanto o Antigo Egito. O mesmo ocorreu com Juscelino Kubtischek quando visitou as ruínas da cidade egípcia de Amarna, onde sonhou um dia ser um chefe de Estado capaz de construir uma capital numa área virgem. Inspirado na arqueoastronomia egípcia, o Plano Piloto de Brasília, criado por Lúcio Costa, é orientado para o Sol.
O prédio do Congresso Nacional alinha-se com o Oriente onde nasce o Astro Rei nos solstícios e equinócios. O mausoléu de JK está no Ocidente, na direção onde os egípcios costumavam sepultar seus mortos. Ele tem o formato de uma mastaba, como faziam os primeiros faraós, antes da era de ouro das Pirâmides ou das tumbas cavadas nos montes do Vale dos Reis.
Conclusão
Por mais que o Antigo Egito pareça uma civilização distante, seu legado influenciou a própria criação do Estado brasileiro no processo de consolidação da Independência. O ideal imperial, inspirado no Antigo Egito faraônico, norteou muitas civilizações. Ironicamente, o mesmo imperialismo que surgiu no Oriente Médio antigo, ao se tornar o projeto de potências europeias capitalistas, levou ao saque e à pilhagem dessas civilizações como forma de legitimar os regimes."
Para que esta área do conhecimento científico, tão pouco desenvolvida no Brasil tenha um futuro de resplendor, é preciso recuperar as peças que forem possíveis e construir uma campanha internacional para formar um novo acervo no Museu Nacional. Que este desastre ao menos tenha servido para se ganhar corações e mentes da população e das autoridades brasileiras para a importância dos museus e da preservação da memória coletiva de um povo.
Se existe um principal legado que os egípcios deixaram à humanidade é o do entendimento do significado da imortalidade. Na visão egípcia, algo só morre de fato quando deixa de ser mencionado.
Portanto, preservar a cultura material e os documentos escritos é uma forma de garantir a imortalidade de cada período da história mundial e do Brasil. Para que no futuro entendamos o passado o que levou à formações do presente. (Fonte: Vermelho/ por Thomas Henrique de Toledo Stella).
Arqueólogos encontram evidências da travessia dos hebreus do Egito até Israel
"A primeira evidência do relato bíblico do Êxodo pode ter sido encontrada em escavações próximas ao rio Jordão.
De acordo com a Bíblia, os israelitas foram conduzidos por Moisés do Egito até a terra prometida de Canaã, que abrange Israel nos tempos modernos. No entanto, muitos estudiosos têm questionado a falta de bases históricas que comprovem a travessia dos hebreus.
Contrariando o argumento de pesquisadores céticos, um novo estudo encontrou evidências históricas para o Êxodo em ruínas próximas ao rio Jordão. O local indicado por arqueólogos é Khirbet el-Mastarah, no Vale do Jordão, que se estende por Israel, Jordânia, Cisjordânia e chega ao sopé das Colinas de Golã.
De acordo com David Ben-Shlomo, arqueólogo da Universidade Ariel, esta pode ser a primeira evidência do relato bíblico. “Não provamos que esses campos são do período dos primeiros israelitas, mas é possível”, disse ao jornal britânico Daily Express nesta terça-feira (25).
Os arqueólogos Ben-Shlomo e seu parceiro de escavação americano, Ralph Hawkins, da Universidade Averett, estão analisando se as ruínas são consistentes com um povo nômade recém-chegado.
Entre as ruínas foi encontrado uma espécie de muro baixo que acredita-se ter sido usado como um cercado de pedras rudimentares para os animais — consistente com práticas nômades.
Além disso, fragmentos de cerâmica no local foram datados da Idade do Bronze (1400-1200 a.C.) ou da Idade do Ferro (1200-1000 a.C.), por volta da época associada à chegada dos israelitas.
Os arqueólogos disseram que isso poderia explicar por que os fragmentos de cerâmica foram encontrados fora, e não dentro, dos muros de pedra. “O chão das estruturas estava praticamente vazio de descobertas e, portanto, não poderíamos datá-los por métodos arqueológicos convencionais”, disseram eles.
“Nos assentamentos beduínos, as pessoas vivem em barracas feitas de [materiais] perecíveis que são realocados a cada estação, portanto, os artefatos não poderiam estar associados à arquitetura de pedra. Então, as estruturas podem ter abrigado animais, e não pessoas, que viviam nas tendas ao redor delas”, acrescentaram.
Região de nômades
O local, a oito quilômetros ao norte de Jericó, também faz mais sentido como um assentamento nômade do que permanente. Além de ser um local isolado, as temperaturas podem chegar facilmente a 45ºC e a precipitação de chuvas anual é de apenas 1 centímetro.
“A paisagem é árida na maior parte do tempo e até mesmo nos tempos modernos a maioria da população é beduína (nômades do deserto)”, disse Ben-Shlomo.
Agora os arqueólogos estão trabalhando para confirmar se o sítio é tão antigo quanto suspeitam. Amostras do solo de Khirbet el Mastarah foram enviadas para análise e amostras das paredes de pedra serão submetidas a testes que possam revelar sua idade. Os resultados são esperados em alguns meses.
Os arqueólogos também estão planejando escavar perto de Uja el-Foqa, que fica em uma colina com vista para o vale de Jericó, para determinar se o local pode estar ligado ao assentamento israelita da região.
No entanto, o trabalho ainda apresenta desafios — os arqueólogos precisam encontrar mais pistas culturais de que o local realmente pertencia aos israelitas. “É difícil, já que muitos aspectos da cultura de diferentes grupos (do leste ou oeste do rio Jordão) podem ser muito similares ou não indicativas o suficiente”, disse Ben-Shlomo." (Fonte: DAILY EXPRESS)
De acordo com a Bíblia, os israelitas foram conduzidos por Moisés do Egito até a terra prometida de Canaã, que abrange Israel nos tempos modernos. No entanto, muitos estudiosos têm questionado a falta de bases históricas que comprovem a travessia dos hebreus.
Contrariando o argumento de pesquisadores céticos, um novo estudo encontrou evidências históricas para o Êxodo em ruínas próximas ao rio Jordão. O local indicado por arqueólogos é Khirbet el-Mastarah, no Vale do Jordão, que se estende por Israel, Jordânia, Cisjordânia e chega ao sopé das Colinas de Golã.
De acordo com David Ben-Shlomo, arqueólogo da Universidade Ariel, esta pode ser a primeira evidência do relato bíblico. “Não provamos que esses campos são do período dos primeiros israelitas, mas é possível”, disse ao jornal britânico Daily Express nesta terça-feira (25).
Os arqueólogos Ben-Shlomo e seu parceiro de escavação americano, Ralph Hawkins, da Universidade Averett, estão analisando se as ruínas são consistentes com um povo nômade recém-chegado.
Entre as ruínas foi encontrado uma espécie de muro baixo que acredita-se ter sido usado como um cercado de pedras rudimentares para os animais — consistente com práticas nômades.
Além disso, fragmentos de cerâmica no local foram datados da Idade do Bronze (1400-1200 a.C.) ou da Idade do Ferro (1200-1000 a.C.), por volta da época associada à chegada dos israelitas.
Os arqueólogos disseram que isso poderia explicar por que os fragmentos de cerâmica foram encontrados fora, e não dentro, dos muros de pedra. “O chão das estruturas estava praticamente vazio de descobertas e, portanto, não poderíamos datá-los por métodos arqueológicos convencionais”, disseram eles.
“Nos assentamentos beduínos, as pessoas vivem em barracas feitas de [materiais] perecíveis que são realocados a cada estação, portanto, os artefatos não poderiam estar associados à arquitetura de pedra. Então, as estruturas podem ter abrigado animais, e não pessoas, que viviam nas tendas ao redor delas”, acrescentaram.
Região de nômades
O local, a oito quilômetros ao norte de Jericó, também faz mais sentido como um assentamento nômade do que permanente. Além de ser um local isolado, as temperaturas podem chegar facilmente a 45ºC e a precipitação de chuvas anual é de apenas 1 centímetro.
“A paisagem é árida na maior parte do tempo e até mesmo nos tempos modernos a maioria da população é beduína (nômades do deserto)”, disse Ben-Shlomo.
Agora os arqueólogos estão trabalhando para confirmar se o sítio é tão antigo quanto suspeitam. Amostras do solo de Khirbet el Mastarah foram enviadas para análise e amostras das paredes de pedra serão submetidas a testes que possam revelar sua idade. Os resultados são esperados em alguns meses.
Os arqueólogos também estão planejando escavar perto de Uja el-Foqa, que fica em uma colina com vista para o vale de Jericó, para determinar se o local pode estar ligado ao assentamento israelita da região.
No entanto, o trabalho ainda apresenta desafios — os arqueólogos precisam encontrar mais pistas culturais de que o local realmente pertencia aos israelitas. “É difícil, já que muitos aspectos da cultura de diferentes grupos (do leste ou oeste do rio Jordão) podem ser muito similares ou não indicativas o suficiente”, disse Ben-Shlomo." (Fonte: DAILY EXPRESS)
Fotos: The Jordan Valley Excavation Project
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