segunda-feira, 24 de julho de 2017

A revolução de Akhenaton, o faraó que acabou com 2 mil deuses e instaurou o monoteísmo no antigo Egito

"Quiseram apagá-lo da história por ter abalado tradição do grande império egípcio. mas o que ficou demonstrava modernidade. O que aconteceu durante seus 17 anos no trono?

Desde o início de seu reinado, o faraó Aquenáton e sua mulher Nefertiti decidiram desafiar todo o sistema religioso do Antigo Egito. Dispostos a sacudir as bases de sua sociedade, eles criaram ideias que levariam o império à beira do abismo.

O casal começou a reinar durante os anos dourados da civilização egípcia, por volta de 1.353 a. C., quando o império era o mais rico e poderoso do mundo —as colheitas eram abundantes, a população, bem alimentada, os templos e palácios reais estavam cheios de tesouros e o exército obtia inúmeras vitórias contra todos os inimigos. Todos acreditavam que o sucesso vinha por conseguirem manter os deuses felizes.

Foi então que Akhenaton chegou ao trono com o ímpeto de modificar uma religião de 1,5 mil anos de idade.
Somente o sol
A ideia era revolucionária: pela primeira vez na história, um faraó queria substituir o panteão de deuses egípcios por uma única divindade — o deus Sol, ou Atón, o criador de todos.

A proposta era considerada uma heresia. Mas como o faraó era considerado um deus na terra, tinha poderes ilimitados para modificar o que quisesse. Ele decretou que os 2 mil deuses que eram adorados no Egito havia mais de um milênio estavam extintos. Suas aparências humanas e animalescas foram substituídas pela forma abstrata do Sol e de seus raios.

Para os poderosos sacerdotes tradicionais, que haviam dedicado suas vidas inteiras aos deuses antigos, a mudança de doutrina era uma catástrofe. Eles praticamente haviam governado o Egito, agora eram dispensáveis — e formavam um grupo perigoso de inimigos para Akhenaton.

No quinto ano de seu reinado, o faraó decidiu que deixaria a cidade de Tebas e se instalaria ao norte do rio Nilo.


(Foto: BBC)
Rumo ao futuro
Àquela altura, era evidente que Akhenaton queria romper com o passado. Ele deu a Nefertiti igualdade de poderes e o título de Grande Esposa Real. Juntos eles viajam 320 quilômetros e mandaram construir uma cidade no local onde hoje fica o município de Amarna.

Sobre uma rocha que ainda existe nas colinas da região, está escrita uma proclamação pública composta por Akhenaton que explica o motivo que o levou a escolher precisamente aquele lugar. Ele teria sido comandado pelo próprio deus Sol, que o mandava edificar ali.

A comunicação teria sido feita por meio de um sinal: a região é cercada de colinas, e em certas épocas do ano o Sol se põe entre elas, criando a forma do hieróglifo do horizonte. Akhenaton interpretou isso como um sinal.

(Sol pondo-se entre colinas e formando o símbolo do horizonte (Foto: BBC)
Horizonte de Atón
Milhares de pessoas de Tebas foram trazidas para construir, decorar e administrar a nova capital, que chegou a ter população de 50 mil pessoas.

A cidade tinha poços, árvores e jardins florescendo no meio do deserto. Casas, palácios e templos ao deus único foram criados em tempo recorde.

O local foi batizado de Ajetatón —horizonte de Aton— e se tornou o novo coração político e religioso do império, e o centro de um novo culto.

Não só a capital e a religião mudaram. A revolução iniciada pelo casal real trouxe outras novidades: nos costumes.

Gravuras cheias de detalhes encontradas em Amarna mostram momentos íntimos da vida da família real, como Akhenaton e Nefertiti abraçando suas filhas. Até então, nenhuma família real egípcia havia sito retratada em demonstrações de carinho.

São obras espontâneas e cheias de vida se comparadas com a arte egípcia anterior, que tende a ser mais estática e monumental.

As estátuas do faraó que ainda existem possuem as mesmas qualidades. A sua postura, de pé, com os braços cruzados sustentando insígnias reais, é comum. Mas sua fisionomia é completamente diferente da dos soberanos que vieram antes e depois, que costumam ter semblantes fortes e viris.

Akhenáton, ao contrário, tem um rosto comprido, com um nariz grande que aponta para sua barba. Seus inusitados lábios carnudos, seus quadris largos e sua barriga um pouco proeminente remetem a uma sensualidade feminina.
Oração ao ar livre
A arquitetura do período também demonstra um desejo de romper com o passado. Os templos tradicionalmente fechados se afunilavam, com o piso levemente levantado e o teto caído, e pouquíssima entrada de luz.

O culto ao Sol trouxe santuários ao ar livre, algo que nunca havia sido feito em grande escala.
Em certo momento, os únicos fiéis autorizados a entrar nos templos eram o faraó e sua mulher. A partir de textos encontrados nos dias de hoje, os estudiosos teorizam que Akhenaton e Nefertiti passaram a acreditar que somente eles podiam se comunicar com Aton. O faraó seria filho de Deus e Nefertiti também seria divina - os súditos deveriam adorá-los.
Foi o ápice da sua revolução religiosa.
Queda
No entanto, as coisas começaram a desandar. Os súditos não haviam de fato abandonado a adoração aos outros deuses, então Akhenáton ordenou que todas as imagens dos deuses antigos fossem destruídas, especialmente as do deus maior do panteão, Amon-Rá.

Também mandou seus soldados apagarem a memória de todos os deuses em suas terras. No fim de seu reinado, sua revolução se enfraqueceu - como ele se recusava a sair da nova cidade, era visto como fraco e o império como vulnerável a invasões.


(Tábuas de argila encontradas em Amarna revelam a natureza do problema enfrentado pelo faraó (Foto: BBC))

Tábuas de argila encontradas em Amarna mostram o estado em que se encontrava o império. Uma delas foi enviada pelo governante de um dos países vizinhos protegidos pelo faraó. Ele pedia que o Egito enviasse tropas para ajudá-lo a manter os hititas, inimigos do império, sob controle.

"Já pedi, mas não fui respondido. Não me enviaram a ajuda de que preciso", se queixava o governante. Aquenáton nunca enviou tropas e o Estado vizinho caiu nas mãos dos hititas — o exército estava tão ocupado em missões de perseguição religiosa que o Egito perdeu territórios, poder, posses e status no continente.
Muitas tragédias
Nas paredes do túmulo de Aquenáton está gravado o drama da família.

Apesar de estar muito danificada, é possível ver uma cena de luto. Umas das princesas morreu e seus pais aparecem chorando - algo sem precedentes, já que as famílias reais jamais demonstravam emoções em público.

Outras evidências indicam que Aquenáton perdeu mais de uma filha, provavelmente por causa da peste, que arrasava a região na época.

Epidemias do tipo podiam matar até 40% da população, e, como era faraó, Aquenáton era considerado pessoalmente responsável pela desgraça. Para os súditos, a catástrofe era resultado de uma ofensa feita aos antigos deuses.

No pico da crise, a rainha Nefertiti morreu e o soberano perdeu a mulher que o havia acompanhado desde o princípio.
Paraíso perdido
O paraíso de Akhenaton estava à beira do colapso. O Egito estava perdendo sua riqueza e poder.

Treze anos depois da fundação de sua cidade, Akhenaton morrreu. Há quem acredite que ele tenha sido assassinado para que seu reinado terminasse.

A cidade foi abandonada e, mais tarde, sistematicamente destruída e apagada dos registros. Também foram esquecidos o culto à Atón e o próprio Akhenaton, que durante muito tempo só foi lembrado por ser, segundo indicam os registos, o pai do grande Tutancâmon, seu sucessor.

Foi Tutancâmon quem resgatou os antigos deuses e restaurou o poder e a prosperidade do Egito. Os sacerdotes voltaram a ter seu antigo poder, e a vida voltou à normalidade.

Nenhum outro faraó egípcio voltou a tentar mudar a ordem estabelecida e desafiar a religião tradicional. Os que vieram após Akhenaton se esforçaram por destruir todos os registos de seu culto herege.

Suas estátuas foram derrubadas e as pedras dos templos usadas como material para a construção de novos prédios. As rochas esculpidas foram escondidas que ninguém voltasse a vê-las.
Isso acabou preservando-as para a posteridade: na década de 1920, elas começaram a reaparecer. Muito do que sabemos de Akhenaton e do culto a Atón vem delas." (Fonte: Globo.com)

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domingo, 9 de julho de 2017

Bibliografia de João Calvino

"Calvino é um daqueles teólogos que suscitam apenas dois sentimentos naqueles que o leem. Ou passam a ama-lo pelo seu discernimento e grande entendimento, ou o odeiam com todas as forças. Mas a despeito disso, é inegável a grande contribuição que este homem de Deus deu ao Cristianismo e aos indivíduos que se propõem (ou não) a compreender seus escritos.

Nascido em 10 de Julho de 1509 em Nyon na França, foi contemporâneo do início da Reforma protestante. Já próximo ao fim de sua vida foi prefeito de Genebra, que na época era uma cidade devassa. Mas devido ao trabalho incansável desse homem de Deus, a cidade foi limpa e restituída aos cidadãos de bem."
 
... mais informações sobre a sua bibliografia na "Área Reservada".

Em 10 de Julho de 1509 nasceu João Calvino, teólogo francês (m. 1564)


"João Calvino (Noyon, 10 de julho de 1509 — Genebra, 27 de maio de 1564) foi um teólogo cristão francês. Calvino teve uma influência muito grande durante a Reforma Protestante, que continua até hoje. Portanto, a forma de protestantismo que ele ensinou e viveu é conhecida por alguns pelo nome calvinismo, embora o próprio Calvino tivesse repudiado contundentemente este apelido. Esta variante do protestantismo viria a ser bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), Países Baixos, África do Sul (entre os africânderes), Inglaterra, Escócia e Estados Unidos.
Nascido na Picardia, ao norte da França, foi batizado com o nome de Jehan Cauvin. A tradução do apelido de família "Cauvin" para o latim Calvinus deu a origem ao nome "Calvino", pelo qual se tornou conhecido.
Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote. Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser visto, gradualmente, como a voz do movimento protestante, pregando em igrejas e acabando por ser reconhecido por muitos como "padre". Vítima das perseguições aos huguenotes na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se definitivamente num centro do protestantismo europeu e João Calvino permanece até hoje uma figura central da história da cidade e da Suíça.
Martinho Lutero escreveu as suas 95 teses em 1517, quando Calvino tinha oito anos de idade. Para muitos, Calvino terá sido para o povo de língua francesa aquilo que Lutero foi para o povo de língua alemã - uma figura quase paternal. Lutero era dotado de uma retórica mais direta, por vezes grosseira, enquanto que Calvino tinha um estilo de pensamento mais refinado e geométrico, quase de filigrana.
Segundo Bernard Cottret, biógrafo francês de Calvino: "Quando se observa estes dois homens podia-se dizer que cada um deles se insere já num imaginário nacional: Lutero o defensor das liberdades germânicas, o qual se dirige com palavras arrojadas aos senhores feudais da nação alemã; Calvino, o filósofo pré-cartesiano, precursor da língua francesa, de uma severidade clássica, que se identifica pela clareza do estilo". (Fonte: Wikipédia)


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Serões Inquietos: Conversa sobre a maçonaria, TSF

“Os "Serões Inquietos" estiveram esta quarta-feira em Lisboa, para uma conversa sobre a maçonaria; sobre as muitas interrogações que escrevem a história e o presente da fraternidade maçónica.
Será esta uma sociedade discreta ou secreta? De princípios ou de interesses? Vamos procurar respostas para estas e outras perguntas em mais uma conversa sem amarras.

E não nos faltaram razões para lançar o desafio às maçonas e maçons que vão partilhar esta noite com a TSF. Isabel Maria Corker é a actual grã-mestre da Grande Loja Feminina de Portugal. E está nestes Serões Inquietos com as duas antecessoras no cargo. Mery Ruah e Odete Isabel.

Do Grande Oriente Lusitano, o grão-mestre Fernando Lima é também convidado destes Serões Inquietos. E está com António Ventura. Vice-grão-mestre do Grande Oriente Lusitano. Historiador. É professor na faculdade de letras da universidade de Lisboa.

O programa decorreu no Lisboa Story Center, no Terreiro do Paço, também com Paula Oliveira, directora-executiva da Associação de Turismo de Lisboa. A partir das 21h, com André Tenente, Fernando Alves e Pedro Pinheiro.” (Fonte: TSF)

... ouça aqui o programa

http://www.tsf.pt/cultura/interior/seroes-inquietos-em-busca-do-codigo-de-olissipo-8615805.html

segunda-feira, 26 de junho de 2017

TAO TE KING - Introdução - Leitura comentada Nova Acrópole

"Dando sequência à série de leituras comentadas oferecidas pela Escola de Filosofia Prática NOVA ACRÓPOLE, conduzida pela professora Lúcia Helena Galvão, encaramos o desafio de compreender um pouco mais este belo e profundo livro - TAO TE KING, presenteado aos homens pelo sábio chinês LAO TSÉ, em tempos imemoriais." (Fonte: Nova Acrópole)

... veja este video aqui

Tao Te Ching, O Livro do Caminho e da Sabedoria de Lao Tzé

"Tao Te Ching, da autoria de Lao Tzé, é uma das obras fundamentais do taoísmo. Escrito há mais de dois mil anos, é um dos livros mais traduzidos e lidos de todos os tempos. A presente tradução nasceu do encontro com o que de melhor se fez até hoje em língua inglesa, com a intenção de chegar o mais perto possível da compreensão da mensagem transformadora de Lao Tzé preservando a sua clareza original, a sua poesia e o seu infinito mistério." (Fonte: FNAC)

... mais informações sobre o livro na "Área Reservada".

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Os Solstícios e os Equinócios, texto de António Macedo

«A redenção da Terra, o seu estatuto e a sua função no futuro fazem parte da Obra [alquímica] que compete ao 9.º grau dos Mistérios Menores [9.ª Iniciação Menor]. Este grau é celebrado nas noites de Solstício de Inverno e de Solstício de Verão [meia-noite], pois este ritual não pode ser realizado em nenhum outro tempo. Os solstícios marcam o momento em que a vibração terrestre é mais elevada, e em que os Raios Cósmicos da Vida Crística estão a entrar profundamente (Solstício de Inverno) ou a sair definitivamente (Solstício de Verão)» (in "Os Solstícios e os Equinócios", texto de António Macedo)

(Corinne Heline, New Age Bible Interpretation, vol. V, 5th ed. revised, New Age Press, 1984,. pp. 87-88).

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Solstício de Verão 2017

"Este ano o Solstício de Verão ocorre no dia 21 de Junho às 5h24min. Este instante marca o início do Verão no Hemisfério Norte, Estação mais quente do ano. Esta estação prolonga-se por 93,65 dias até ao próximo Equinócio que ocorre no dia 22 de Setembro de 2017 às 21h02min.

Solstícios: pontos da eclíptica em que o Sol atinge as posições máxima e mínima de altura em relação ao equador, isto é, pontos em que a declinação do Sol atinge extremos: máxima no solstício de Verão e mínima no solstício de Inverno.

A palavra de origem latina (Solstitium) está associada à ideia de que o Sol devia estar estacionário, ao atingir a sua mais alta ou mais baixa posição no céu." (Fonte: Observatório Astronómico de Lisboa)